Aluna desenvolve tratamento alternativo para resíduos da indústria têxtil

Um dos desafios do setor industrial é produzir poluindo menos. E, sim, muitas das respostas estão nos bancos e laboratórios das universidades.

É o caso do projeto desenvolvido por uma estudante de Engenharia Química do Câmpus Francisco Beltrão, a Michelli Fontana. Em sua pesquisa de iniciação científica, a aluna criou um método de tratamento fotocatalítico dos efluentes da indústria de tingimentos têxtil.

Protótipo do reator utilizado para o tratamento dos efluentes (Foto: Divulgação)

Protótipo do reator utilizado para o tratamento dos efluentes (Foto: Divulgação)

O estudo foi pensado como uma alternativa eficiente para a otimização dos processos de tratamentos industriais, a fim de reduzir riscos de intoxicação de meios aquáticos. O projeto teve início em 2015 sob orientação da professora Elisângela Düsman.

Os processos comumente utilizados pela indústria no tratamento de efluentes utilizam incineração e métodos biológicos a fim de reduzir a contaminação provocada. Essas técnicas, no entanto, mostram eficiência abaixo do esperado e permitido pela legislação, além do alto custo no caso da incineração. Segundo Michelli, o tratamento fotocatalítico se mostrou eficaz em relação à ausência de toxicidade das concentrações nas amostras e na regulação do pH da água.

Os benefícios desse método alternativo vão além do seu baixo custo de aplicação. “O tratamento apropriado de efluentes têxteis reflete na redução de riscos de intoxicação de meios aquáticos e de fontes de água, além de evitar riscos à saúde pública”, completa a aluna.

A pesquisa foi apresentada no Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica (Sicite) 2016 e escolhida o melhor trabalho da categoria apresentações orais da área de Engenharias.

Descomplicando as aulas de cálculo

Não é segredo que as aulas de cálculos são conhecidas por não serem tão amigas dos estudantes. Mas e se desse pra modernizar esse role e fugir do tradicional?

Um estudante do Câmpus Londrina, Alan Couto, pensou nisso e propôs um novo modelo de construção de tarefas para aulas de cálculo com auxílio de recursos digitais. Show, né? A ideia é repensar como as aulas são implementadas atualmente e facilitar a vida dos alunos com ferramentas como, por exemplo, gráficos interativos. A pesquisa é orientada pelo professor André Luis Trevisan e foi baseada em autores do ramo de ensino e aprendizagem como, por exemplo, Sonia Palha e Hans Freudenthal.

Projeto promete facilitar a disciplina que é o terror dos calouros

Projeto promete facilitar a disciplina que é o terror dos calouros

Alan conta que a intenção é gerar mais reflexão sobre os cálculos e fugir do método mecânico de pensar a matemática. “Acreditamos que a matemática é mais do que cálculos em excesso e com pouca reflexão sobre o conteúdo proposto. Por isso, nossos trabalhos focam em fortalecer o pensamento matemático do aluno da maneira mais intuitiva possível”, completa o acadêmico de engenharia de materiais.

A pesquisa “Construção de tarefas para aulas de Cálculos com auxílio de recurso computacional” foi premiada no Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica (Sicite) 2016, na categoria painéis da área de Ciências Humanas. Um website com o conteúdo do projeto já está no ar. Algébrico!

Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica 2016

sicite_2016

O Câmpus Francisco Beltrão sedia, nos dias 09, 10 e 11 de novembro, a 21ª edição do Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica da UTFPR (Sicite). O evento é destinado a apresentação das atividades de iniciação científica e tecnológica nos 13 câmpus da Instituição. A submissão dos trabalhos pode ser feito até o dia 24 de outubro.

Tá, e quem pode participar?

Serão aceitos trabalhos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação dos alunos participantes dos programas institucionais PIBIC, PIBIC-AF, PIBITI, PIBIC-Jr, PIBIC-EM e PVICT, em todas áreas do conhecimento. Atenção: não é possível a submissão apenas do resumo; a organização exige também o relatório de pesquisa.

O evento reúne uma galera muito boa, cheia de ideias e que vive produzindo conhecimento. Cada aluno pode apresentar um trabalho como primeiro autor. No entanto, não há restrição no número de resumos para coautores. Ah, e cada resumo deve ter, no mínimo, dois autores: o estudante bolsista mais o professor orientador.

Quem tiver mais dúvidas, basta consultar o FAQ elaborado pela organização do Sicite. Também vale dar um clique aí no site do evento, onde é possível encontrar a programação do Seminário e dicas de hospedagem em Francisco Beltrão.

Alunos da UTF podem acessar serviços eletrônicos de instituições parceiras

Quem é aluno já passou pelo sofrimento de querer acessar um artigo científico ou uma plataforma de dados e… ¯\_(ツ)_/¯

Rá, mas agora a UTF faz parte da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), um serviço que disponibiliza a navegação em bases de dados de instituições de ensino e pesquisa parceiras. Com esse recurso, os alunos e servidores passam a ter acesso a serviços de ensino a distância e atividades de colaboração oferecidas pelas universidades e institutos de pesquisa conveniados.

Entre os serviços do CAFe estão: acesso remoto ao portal de de periódicos da Capes, biblioteca virtual com produções científicas internacionais; DreamSpark, programa da Microsoft que oferece softwares gratuitos para fins acadêmicos; Videoaula@RNP, sistema de armazenamento de videoaulas produzidas pelas instituições; Atlases, biblioteca de imagens de patologia em alta resolução. São plataformas que servem com fonte de pesquisa para trabalhos científicos com material exclusivo e dados atualizados.

Ah, e todo o acesso pode ser feito com o login e senha institucionais. Uma ajuda e tanto, não é mesmo?

 

 

Uma graduação com gosto de mestrado

Neste ano, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) chega a sua 11ª edição. E, durante esse tempo, a competição tem cumprido seu principal objetivo: estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área.

Um desses talentos é o Murilo Kava, acadêmico de Engenharia Elétrica da UTFPR (Câmpus Pato Branco). Tendo conquistado seis medalhas em provas da OBMEP, Murilo ganhou uma bolsa para participar do Programa de Iniciação Científica e Mestrado, em que é possível realizar estudos avançados em matemática simultaneamente com a graduação.

O Blog do Aluno conversou com o Murilo para saber um pouco mais da experiência de fazer graduação e mestrado, tudo ao mesmo tempo. Confere aí:

A matemática tem a fama de ser uma das disciplinas mais temidas da escola. Conte um pouco da sua relação com a disciplina. Você sempre gostou de estudá-la?

Murilo Kava, medalhista da OBMEP e aluno de engenharia elétrica

Na realidade, não gostava nem desgostava, eu apenas me destacava frente aos demais devido ao meu raciocínio lógico. A OBMEP, de certa forma, me apresentou desde cedo uma visão mais abrangente da matemática, fugindo da decoreba sem sentido que é o ensino da matemática na maioria das escolas públicas. Mesmo assim, nunca tive real interesse de atuar na área.

Como foi sua preparação para as provas da OBMEP, teve algum tipo de estudo específico?

Não. Sempre fiz as provas sem estudar. Se eu tivesse estudado provavelmente teria me saído ainda melhor, mas isso não é essencial, pois o objetivo da prova é justamente o de descobrir possíveis talentos em matemática, por isso as questões da prova não exigem muito conhecimento para resolver, mas exigem muito raciocínio lógico por parte do aluno.

E como está sendo a experiência no Programa de Iniciação Científica e Mestrado?

No começo do projeto, eu e meu orientador decidimos um tema para estudo em que eu tenho a responsabilidade de trabalhar nesse tema. É realizado um encontro presencial por semana com a finalidade de retirar dúvidas. O PICME é um programa descentralizado, em que as próprias universidades são autônomas para coordenar o programa, a OBMEP apenas seleciona os alunos. O meu, em particular é coordenado pelo Programa de Pós Graduação em Matemática da UFPR em Curitiba.

Você pretende seguir nessa área acadêmica ou seu perfil é mais profissional? Já deu pra se descobrir?

Eu entrei na UTFPR para estudar Engenharia porque essa é a área com a qual eu me identifico mais. Prefiro o conhecimento prático, aplicável, por isso Engenharia.

E como os estudos do PICME se complementam aos da graduação em Engenharia?

Na verdade, o tema que estou trabalhando já é mais voltado a aplicações, de forma a se aproximar mais aos objetivos da Engenharia. Acredito que [o PICME] tenha me ajudado pois a disciplina em que tirei as notas mais altas no semestre passado foi justamente aquela mais relaciona à área em que estou trabalhando, que é a de Cálculo.

Gostou do papo? A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e dos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Somente neste ano, mais 17 milhões de estudantes, de 47 mil escolas públicas, participam da competição.