Uma graduação com gosto de mestrado

Neste ano, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) chega a sua 11ª edição. E, durante esse tempo, a competição tem cumprido seu principal objetivo: estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área.

Um desses talentos é o Murilo Kava, acadêmico de Engenharia Elétrica da UTFPR (Câmpus Pato Branco). Tendo conquistado seis medalhas em provas da OBMEP, Murilo ganhou uma bolsa para participar do Programa de Iniciação Científica e Mestrado, em que é possível realizar estudos avançados em matemática simultaneamente com a graduação.

O Blog do Aluno conversou com o Murilo para saber um pouco mais da experiência de fazer graduação e mestrado, tudo ao mesmo tempo. Confere aí:

A matemática tem a fama de ser uma das disciplinas mais temidas da escola. Conte um pouco da sua relação com a disciplina. Você sempre gostou de estudá-la?

Murilo Kava, medalhista da OBMEP e aluno de engenharia elétrica

Na realidade, não gostava nem desgostava, eu apenas me destacava frente aos demais devido ao meu raciocínio lógico. A OBMEP, de certa forma, me apresentou desde cedo uma visão mais abrangente da matemática, fugindo da decoreba sem sentido que é o ensino da matemática na maioria das escolas públicas. Mesmo assim, nunca tive real interesse de atuar na área.

Como foi sua preparação para as provas da OBMEP, teve algum tipo de estudo específico?

Não. Sempre fiz as provas sem estudar. Se eu tivesse estudado provavelmente teria me saído ainda melhor, mas isso não é essencial, pois o objetivo da prova é justamente o de descobrir possíveis talentos em matemática, por isso as questões da prova não exigem muito conhecimento para resolver, mas exigem muito raciocínio lógico por parte do aluno.

E como está sendo a experiência no Programa de Iniciação Científica e Mestrado?

No começo do projeto, eu e meu orientador decidimos um tema para estudo em que eu tenho a responsabilidade de trabalhar nesse tema. É realizado um encontro presencial por semana com a finalidade de retirar dúvidas. O PICME é um programa descentralizado, em que as próprias universidades são autônomas para coordenar o programa, a OBMEP apenas seleciona os alunos. O meu, em particular é coordenado pelo Programa de Pós Graduação em Matemática da UFPR em Curitiba.

Você pretende seguir nessa área acadêmica ou seu perfil é mais profissional? Já deu pra se descobrir?

Eu entrei na UTFPR para estudar Engenharia porque essa é a área com a qual eu me identifico mais. Prefiro o conhecimento prático, aplicável, por isso Engenharia.

E como os estudos do PICME se complementam aos da graduação em Engenharia?

Na verdade, o tema que estou trabalhando já é mais voltado a aplicações, de forma a se aproximar mais aos objetivos da Engenharia. Acredito que [o PICME] tenha me ajudado pois a disciplina em que tirei as notas mais altas no semestre passado foi justamente aquela mais relaciona à área em que estou trabalhando, que é a de Cálculo.

Gostou do papo? A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e dos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Somente neste ano, mais 17 milhões de estudantes, de 47 mil escolas públicas, participam da competição.

Compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *